Guia rápido (e sem tédio) dos partidos brasileiros hoje

Você sabia que, no Brasil, se você quiser ser candidata a qualquer cargo político, não adianta só ter carisma, seguidores no Instagram e vontade de fazer a diferença, né? Precisa estar filiada a um partido político. Aqui, os partidos são como o “clube” que te dá o ingresso para disputar eleições.

No mundo, existem basicamente dois modelos de sistemas partidários:

No Brasil, você já deve ter reparado que tem partido político pra todo gosto, cor e formato, né? Desde a Constituição de 1988, vivemos no modelo multipartidário — e é por isso que temos tantos nomes e siglas partidárias.

Um pouco de novela política: como chegamos no multipartidarismo?

Para a gente entender os partidos que temos hoje no Brasil, vale dar um pulinho na história recente, a partir da redemocratização de 1985. Afinal, o jeito que os partidos se organizaram não surgiu do nada: muito vem das estruturas criadas durante a ditadura militar (1964–1985). Naquele período, o cardápio político era bem restrito: obrigatoriamente, só tinha duas opções — de um lado, a Arena (Aliança Renovadora Nacional), que basicamente dizia “sim, estamos com o regime”; e do outro, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que fazia o papel de oposição… Mas só até onde o regime deixava (afinal, era uma ditadura, né pessoal).

Com a Constituição de 1988, veio o multipartidarismo: agora podíamos ter várias legendas partidárias disputando votos, cada uma tentando se diferenciar das outras.. 

Logo após o fim da ditadura, a antiga Arena — partido que dava sustentação ao governo militar — deu origem a diversas legendas partidárias de direita, que ao longo do tempo passaram por divisões, mudanças de nome e fusões, moldando o espectro partidário conservador no Brasil hoje. Dessas fusões, atualmente, permaneceram o PP (Progressistas) e, mais recentemente, o União Brasil.

  • A partir do histórico MDB, surgiu o PSDB, criado em 1988 por dissidentes do próprio partido, enquanto o MDB continuou firme e forte — passando décadas como PMDB antes de voltar ao nome original em 2017, numa tentativa de limpar a imagem depois dos escândalos da Lava Jato.
  • Já o PT, fundado em 1980, chegou chegando: não era dissidência de ninguém, mas uma força nova, nascida de sindicalistas, movimentos sociais, intelectuais e até setores progressistas da Igreja Católica.
  • Tem também os veteranos, como o PSB, refundado em 1985 mas com raízes lá na década de 1940. O mesmo vale para o PCdoB, fundado em 1962 mas logo depois foi proibido de atuar durante a ditadura, em 1985 retornou à política adaptando-se aos novos tempos da democracia.
  • E há também as novas gerações da política, como o PSOL, que surgiu em 2004 quando um grupo de parlamentares e militantes rompeu com o PT por causa da reforma da Previdência durante o governo Lula I — porque todo partido também tem seu drama interno, né?
  • Mais tarde veio a Rede Sustentabilidade, criada por Marina Silva em 2013, com uma proposta de renovar a política ao colocar a pauta ambiental no centro do debate.

Ah, e uma informação importante: as mudanças nas regras eleitorais tiveram impacto direto nas estratégias dos partidos políticos brasileiros. A reforma de 2017, por exemplo, acabou com a obrigatoriedade de que todos os partidos tivessem a palavra “Partido” em seu nome. A partir daí, várias siglas passaram a adotar nomes mais curtos ou sem referência direta a “partido”, como ocorreu com o MDB (antes PMDB), o Progressistas (PP) e o Podemos (PODE)

Além disso, outra consequência importante foi a criação da cláusula de barreira, que reduziu o tempo de propaganda gratuita e o acesso ao fundo partidário para siglas com baixo desempenho nas eleições. Então, para sobreviver nesse novo cenário, muitos partidos pequenos optaram pela fusão ou incorporação a outros maiores, como foi o caso da junção entre DEM e PSL, que deu origem ao União Brasil. Essas estratégias permitiram maior acesso a recursos, tempo de TV e relevância nas votações no Congresso.

No fim das contas, o cenário partidário brasileiro atual é essa mistura: heranças da ditadura, sobreviventes históricos, novos partidos e toda a dinâmica que vem das disputas internas, impactos de novas regras, divisões ideológicas e conveniências políticas.

Para facilitar: a gente sabe que não é fácil entender toda essa história, por isso desenhamos uma linha do tempo com os partidos que existem hoje e têm cadeira (ou seja, elegeram representantes) no Congresso — tipo um “álbum de família” da política brasileira. 

*foram considerados somente os partidos com representação no Congresso

Como os partidos disputam as eleições no Brasil?

Como dito antes, o Brasil adota um sistema multipartidário, ou seja, vários partidos disputam o voto do eleitorado. Dentro desse sistema, o país utiliza regras diferentes para cargos políticos diferentes: as eleições para vereadores e deputados seguem o sistema proporcional; já prefeitos, governadores, senadores e presidente da República são escolhidos pelo sistema majoritário. 

De forma simples, podemos pensar assim: 

  • Eleições proporcionais (como para vereador e deputado): há várias vagas em disputa, e elas são distribuídas conforme o total de votos que cada partido e seus candidatos recebem.
  • Eleições majoritárias (como para prefeito, governador, senador e presidente): vale o “quem tiver mais voto, ganha”. No caso do Senado, as vagas são renovadas de forma alternada: em uma eleição elege-se um senador, e na seguinte, dois.

Leia mais sobre Eleições Proporcionais e Majoritárias aqui 😉

Já nas eleições majoritárias, como para presidente, governadores, prefeitos e senadores, a lógica é a seguinte:

Partidos -> Candidatas

A maioria manda

Segundo turno

Estrutura organizacional básica dos partidos

Independentemente de tamanho ou ideologia, os partidos brasileiros seguem uma estrutura interna similar do ponto de vista formal:

Partidos e Ideologias Políticas: como entendê-los (contém ironia)

Geralmente, a gente costuma organizar essas ideias sobre ideologias políticas em um eixo que vai da esquerda à direita, com alguns pontos no meio e nos extremos. E aqui vai um resumo sem enrolação:

Your team should be made up of people you trust. This space is essential to the success of your campaign. Of course, this may vary depending on whether your campaign is Basic, Ideal, or Dream Scenario. In a Dream Scenario, you may be able to hire people to work on your campaign. In that case, experience, strong negotiation skills, and careful reference checks really matter.

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  • Extrema-esquerda: quer mudança aqui e agora, redistribuir riqueza e, às vezes, abolir o capitalismo. Tipo aqueles amigos que dizem: “Vamos mudar o mundo já!”
  • Esquerda: se preocupa em diminuir desigualdades, proteger minorias e fortalecer o Estado em políticas sociais. É o pessoal que diz: “Ninguém fica pra trás!”

  • Centro-esquerda: é a versão maissuave da esquerda: se importa com justiça social, mas também não quer deixar de lado o mercado. Tipo: “Vamos ser progressistas, mas não precisa gritar.”
  • Centro: aqui mora o pessoal do meio-termo. Podem apoiar iniciativas de uma ou outra ideologia política dependendo do humor do dia.
  • Centro-direita: acredita que mercado e iniciativa privada são os aspectos mais importantes, mas ainda acha que o Estado pode dar uma forcinha em alguns pontos.

  • Direita: adora menos Estado na economia, mais iniciativa privada e valores tradicionais e conservadores. Basicamente, são os fãs do “cada um por si, pois não existe almoço grátis” aliado ao “menino usa azul e menina usa rosa”.
  • Extrema-direita: leva a direita ao extremo com uma visão autoritária em alguns casos. É o grupo do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Esse grupo não é muito fã da democracia e, às vezes, mesmo quando diz que “joga dentro das quatro linhas da constituição” a gente fica sem entender se são fãs ou hater do jogo democrático.

Vale lembrar: nem todo partido se encaixa perfeitamente nesses rótulos, esse é um guia rápido de ideologias — na realidade, muitos partidos se adaptam também conforme conveniência, alianças ou o famoso “vai com quem tiver palanque”. Mas entender esse espectro ideológico é muito importante e ajuda a decifrar o jogo político e saber quem defende o quê. Por exemplo, se você acha que é só ler o nome do partido e já saber o que ele defende, sinto te desapontar: isso não funciona assim em muitos casos. Aqui, o nome do partido pode enganar até a eleitora mais atenta

O Progressistas (PP), por exemplo, soa todo moderninho e “progressista”, mas não espere militância da esquerda por aqui. É direita pura, das antigas. E o PL (Partido Liberal)? Liberais mesmo, no sentido clássico de liberdades fundamentais? Esquece! Aqui liberal significa mais “conservador à brasileira” do que qualquer coisa ligada à liberdade individual ou direitos civis para todos, por princípio. Ou seja, o nome do partido pode ser mais um convite à curiosidade do que um resumo ideológico: você tem que olhar para histórico, votos e alianças para entender de verdade o que a sigla defende — senão corre o risco de achar que está na festa da esquerda e acabar no camarote da direita.

Se você acha que política é só esquerda versus direita, prepare-se: o centrão é tipo aquele grupo de amigos que não se importa com o time de futebol. Ele não briga por causas políticas baseada em ideologias, mas quer garantir assento à mesa do poder e petiscar sempre que tiver oportunidade… 😅

O chamado “centrão” é um termo usado de maneira corriqueira no noticiário político para designar um bloco informal de partidos políticos no Brasil que não se organiza a partir de uma identidade ideológica definida, mas sim pelo pragmatismo, em torno da busca por poder, cargos e recursos dentro do sistema político (mas, aqui, momento sincerão, de certa forma, todos os partidos fazem isso também, ok). Só que o “centrão”, mais do que um partido ou uma coalizão formal, funciona como um arranjo de conveniência, cujo peso político depende da sua capacidade de agregar parlamentares.

Mapa ideológico dos nossos partidos

A seguir, você confere um mapa das ideologias políticas para os principais partidos do Brasil, para visualizar onde cada sigla partidária se posiciona, porque, no fim das contas, política não precisa ser um bicho de sete cabeças.

Diferenças entre atuação partidária federal/local

Flexibilização ideológica: quando partidos deixam de lado suas diferenças políticas para fazer alianças, é mais evidente no nível local, com partidos frequentemente formando alianças entre si para eleição de executivos estaduais e municipais — mesmo que sejam adversários no plano nacional. Então, muitas vezes, partidos que são rivais no cenário nacional podem se unir em alianças locais, devido a acordos pragmáticos para disputar prefeituras ou governos estaduais. 

Nas eleições de 2024, por exemplo, o PT, do Lula, e o PL, do Bolsonaro, dividiu o mesmo palanque em 85 cidades. Aqui, “dividir palanque” significa participar juntos de uma mesma campanha eleitoral, apoiando o mesmo candidato, mesmo que os partidos normalmente sejam adversários no plano nacional.

“Agora vocês vão ter que se suportar” versão política

As federações partidárias foram introduzidas pela Lei nº 14.208, de 2021, e passaram a valer nas Eleições Gerais de 2022. Diferentemente das extintas coligações (que duravam apenas a eleição), as federações exigem que os partidos atuem como um bloco único durante todo o mandato (normalmente 4 anos), tanto nas campanhas quanto no Congresso.

Coligações: servem apenas para campanhas de disputa eleitoral; não obrigavam união entre partidos após as eleições. As coligações, no entanto, não podem mais ser formadas nas eleições proporcionais, apenas nas majoritárias. 

Federações: imposição de atuação conjunta permanente (eleitoral e legislativa), com penalidades em caso de saída antecipada, fortalecendo a coerência política entre os partidos envolvidos. Agora, a aliança não vale só nas eleições, mas tem que valer no mandato inteiro, por isso, as federações são a versão política do “sério, agora vocês vão ter que se suportar”. 

Se quiser saber mais sobre o Sistema Eleitoral brasileiro e como as novas regras de coligações e federações funcionam, a gente tem um ótimo textinho explicativo aqui.


Conhecer os partidos e o que eles defendem ajuda a gente a escolher melhor, participar e cobrar mudanças. Democracia só funciona quando a gente se envolve — e, olha, até dá pra se divertir tentando decifrar esse quebra-cabeça político. ☕😄

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