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Eleições municipais no Brasil: por que precisamos de mais mulheres eleitas?

Por Carol Althaller e Larissa Dionisio

Em um ano complexo, com uma pandemia que afeta a saúde física, mental, econômica e política do mundo, pensamos ainda mais em como nossa atuação pode alterar o curso da história. Com as eleições municipais no Brasil se aproximando, temos a oportunidade de usar a política como ferramenta de transformação para imaginar e criar futuros coletivos melhores. 

O voto é uma conquista popular e social, que faz parte de um processo histórico longo e que por mais que a gente não tenha participado fisicamente de tudo isso, nos beneficiamos dessa ferramenta de transformação. Você tem noção do poder que tem em suas mãos?

Por isso, votar com responsabilidade e consciência é um passo muito importante do processo democrático. É com o voto que pessoas são eleitas e ocupam a política institucional, criando políticas públicas que vão afetar sua vida, de alguma forma. 

Mas, na real, estamos aqui para inspirar vocês neste processo de escolha. Afinal, a política pode sim ser inspiradora. 

Nós duas fizemos parte da equipe do projeto Eleitas – Mulheres na Política, do Instituto Update, e conhecemos 96 mulheres políticas eleitas em 6 países da América Latina: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia e México. Todas elas têm um ponto importante em comum: são pessoas com práticas inovadoras. E quando falamos de inovação política não estamos falando só de tecnologia e aplicativos, mas de construção de processos participativos que conectam a sociedade civil (eu, você e mais um monte de gente) com a política, trazendo todo mundo mais para perto e criando mecanismos que vão impactar diretamente a sua vida. 

Quando idealizamos o projeto, nosso ponto de partida foi o desejo de entender o que acontece na política quando mais mulheres são eleitas e o que muda quando as mulheres estão – e mudam – o poder? Afinal, mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro segundo dados do TSE, um número desproporcional ao número de mulheres ocupando espaços de poder. 

Ao longo de mais de um ano de pesquisas, entrevistas, viagens de campo e um mapeamento de cerca de 600 nomes, mergulhamos nas histórias de grandes mulheres – líderes inovadoras, inspiradoras e corajosas que estão desafiando o status quo para fortalecer a democracia.

Como fontes primárias, entrevistamos as 96 políticas eleitas que já citamos, além de 11 especialistas ou representantes de movimentos da sociedade civil. Unidas pela consciência de gênero e a convicção de que podem transformar a sociedade, mulheres de diferentes campos políticos, linhas ideológicas, territórios e etnias, como as deputadas brasileiras Érica Malunguinho, Marina Helou e Priscila Krause, a senadora mexicana Kenia Lopez e as prefeitas Raquel Lyra (de Caruaru, Pernambuco) e Claudia Lopez (de Bogotá, Colômbia) falaram de suas trajetórias, práticas, desafios, visões e sonhos. E todo o conteúdo agora está disponível para inspirar outras mulheres numa publicação e também numa série audiovisual, realizada em parceria com o Quebrando o Tabu, a Maria Farinha Filmes e a Spray Content. 

Todos os aprendizados, descobertas e inovações políticas que as mulheres trazem ao ocuparem a política institucional foram sistematizados em dois formatos:

O primeiro é estudo analítico feito a partir de um processo de interpretação das narrativas em relação à política institucional e aos contextos históricos e culturais de cada país. 

O primeiro capítulo, “A política do agora: utopia do presente”, contextualiza a mudança cultural que vem emergindo em toda a América Latina e mostra como a força das ruas vem despertando em mulheres a vontade de concorrer às eleições. 

O segundo, “Paridade como caminho”, detalha o que é preciso para que haja equidade em espaços de decisão – o que depende diretamente de ações que combatam a violência, tema abordado no capítulo seguinte, “O desafio da violência política de gênero”.

Depois, “A imaginação na prática” discute como mulheres constroem novas formas de exercer a política. Para elas, a prática parte de uma relação contínua entre cidadania e poder público, sempre com a criatividade aliada no desenho das soluções de problemas complexos. A criatividade, nesse caso, é mais do que um instrumento, é uma ética – a ética criativa. 

E, por fim, o quinto capítulo, “A jornada: país a país”, destacam as alianças do projeto em toda a América Latina.

Cada capítulo traz histórias e verbalizações das entrevistadas, vale muito a pena baixar e entrar nessa jornada com a gente. 🙂 

O segundo é uma série audiovisual dividida em três episódios, em uma co-produção do Instituto Update com o Quebrando o Tabu, Maria Farinha Filmes e Spray Contente.
A série é apresentada pela cientista social Beatriz Pedreira, cofundadora e diretora do Instituto Update, e dirigida pela documentarista Isadora Brant, contando ainda com participação da cantora Anitta, que na série faz o papel de desmistificar e explicar os conceitos por trás de termos como “paridade” e “violência de gênero”.  Todos os episódios são emocionantes e você pode assistir com sua família, compartilhar nos grupos de WhatsApp e com isso, puxar conversas sobre o tema, engajando outras pessoas a fortalecerem mais mulheres na política. 

Os três episódios estão disponíveis no canal do YouTube do Quebrando o Tabu, dá o play: 

É corrente a ideia de que  o “futuro da política é feminino” ou de que é “preciso feminilizar a política”, mas pouco se sabe do que significa, de fato, o exercício do feminino no poder e como se diferencia do padrão. Por isso é importante nos debruçarmos em trajetórias de mulheres políticas com práticas inovadoras que nem sempre tem espaço na mídia tradicional. Esses dois conteúdos que compartilhamos, são materiais de inspiração e reflexão para que no domingo (15/11) todas, todos e todes possamos votar com consciência e perspectiva de gênero e raça. 

Precisamos amplificar e reverberar as vozes dessas mulheres que, a partir da consciência de gênero vêm desafiando o sistema tradicional e patriarcal para criar novos comportamentos e práticas políticas, estimulando um novo imaginário e consolidando a democracia! 

Carol Althaller e Larissa Dionisio

São, respectivamente, coordenadora de Comunicação e produtora executiva do projeto Eleitas – Mulheres na Política, do Instituto Update.

**Os textos e artigos publicados com assinatura no nosso blog não traduzem, necessariamente, a opinião de Im.pulsa. São redigidos por parceiras ou pessoas interessadas que encaminham tais conteúdos para avaliação e a publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre a representatividade e participação de mais mulheres na política. 

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