Você já ouvir falar em candidatura coletiva? É uma iniciativa inovadora e inspiradora que, aos poucos, vem ocorrendo em eleições para o legislativo no Brasil. Funciona assim: um grupo de pessoas com diferentes propostas, diferentes histórias, sem nenhuma ligação formal e que gostaria de compartilhar e participar de processos de decisões colaborativas, se unem para participar de uma candidatura.
Agora, você sabia que candidaturas coletivas já foram eleitas no Brasil? Entre elas, uma experiência de sucesso é a da Bancada Ativista, de São Paulo. O grupo, formado por 9 pessoas, concorreu no pleito para a Assembleia Legislativa em 2018. Entre as propostas na plataforma estava o combate às desigualdades, reforço da educação e saúde públicas, habitação e mobilidade, integração social com o meio ambiente, além de segurança pública mais justa e humanizada.
Como fazer
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não reconhece candidaturas coletivas. Portanto, o grupo proeminente necessita um advogado para ajudar nos entraves legais. Um dos impasses era o nome que apareceria na urna, porque, por Lei, apenas uma pessoa física é aceita como candidata. Sendo assim, Mônica Seixas foi o nome escolhido, mas ela apareceu na urna como “Mônica da Bancada Ativista”.
Ainda assim, durante uma campanha, todo o grupo e suas histórias foram apresentadas e defendidas. No entanto, nenhuma delas foi definida como candidata ou pré-candidata porque seria contra as normas legais. Elas descobriram um termo que juridicamente é aceito: “co-candidata (o)”. Legal, né?
Um dos destaques do grupo nas etapas se deu tanto pelo apelo de ser uma candidatura inusitada, mas também por outros fatores. Primeiro, as nove faziam parte de lugares, histórias e redes de apoio diferentes. Em termos de votos, essas diferenças multiplicaram os resultados numéricos nas urnas.
O segundo fator que destacou o grupo na disputa foi a linguagem visual e a comunicação da campanha. Os membros da Bancada Ativista foram identificados cada um com uma cor, de acordo com as pautas e posicionamentos políticos, formando um arco-íris ativista em uma linguagem pop e colorida.
Resultados Práticos
A Bancada Ativista foi a primeira candidatura coletiva eleita no estado de São Paulo, com 149.844 votos, sendo a 10ª mais votada no estado para a eleição Legislativa em 2018. Além disso, o grupo conseguiu doações de mais de 700 pessoas para a campanha.
Atualmente, o mandato, chamado de Mandata Ativista, se divide em círculos para dar conta das diferentes pautas prioritárias de cada co-deputada. Em relação às decisões, tudo é feito com consenso entre todas e todos. Em caso de discordância, cada co-deputada tem prioridade na palavra final da pauta que representa.
E aí, te inspiramos a pesquisar mais sobre candidaturas coletivas?
Mesmo que não queira seguir esse caminho, você SEMPRE vai precisar de um forte e poderoso grupo de apoio caso queira se candidatar. Comenta aqui embaixo sobre como pretende planejar sua campanha, seja ela individual ou coletiva!